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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Sobre dedicatórias e coincidências

Robert Doisneau (meu amor) - Paris - 1947
“De tudo que vem de você, permanece em mim uma vontade de sorrir”. 

Eu li a primeira frase da dedicatória e desejei que tivesse escrito uma assim, tão bonita, para você. Não tenho ferramentas para isso. Te conheço tão pouco. Me reconheço em ti, mas isso não é suficiente.

Me reconheço na falta de fé e na crença sobre a energia que move o mundo. Na ideia de que as coisas e sentimentos, todos eles, são ilusões muito bem construídas. No tédio dos outros e de nós. E na vontade de estar sozinho, no mundo ou no banheiro.

A verdade é que eu te dei aquele livro pra você me ter por perto de alguma forma. Tenho essa inclinação especial pelas coisas temporárias e com prazo determinado para acabar, talvez por isso goste tanto de ti.

Gosto muito de ter feito um pouco da nossa imaginação virar realidade naqueles dias de sol e fugas para a praia, mas gosto mais ainda do que permanece imaginário, idealizado, platônico. Assim não precisamos esperar mais nada de nós além do que já passou.

Mas o livro, o livro pode ficar contigo por muito tempo. E pode acabar em um sebo qualquer. Sem minha dedicatória. E quem sabe, no seu quarto sem cama e sem guarda-roupas, você encontre um outro lugar para me esconder. E ainda lembre de mim à noite, antes de dormir.

E eu, bom, para além de todas as coincidências daquela matéria d'O Globo, de tudo que vem de você, permanece em mim uma vontade de sorrir...


terça-feira, 21 de julho de 2009

Um mundo inteiro.

Para recomeçar a contar as voltas que anda dando o mundo, acho que devo, antes de qualquer coisa, encerrar a contagem anterior. Continuei contando sem saber. Encerrar a contagem significa também encerrar estas cartas.
Não, não fique preocupado. As cartas páram, mas você continua tendo seu espaço em mim e no meu cantinho do mundo, sempre. Acho que já me ajudou o suficiente neste processo, agora devo tentar seguir, ser forte, e te deixar ainda mais orgulhoso.
Tenho ainda um mundo inteiro pra ver, experimentar, conhecer, gostar e não gostar. Ainda vão passar por mim e deixar alguma marca muitos 'superfantásticos' e 'superfantásticas'. Ainda vou escrever tantas cartas quanto forem necessárias pra fazer o mundo dar mais e mais voltas.
Posso te dar tchau, agradecer outra vez, e nos desejar felicidade e todas aquelas melhores coisas que a gente conversou um dia. Agora sim, posso te dar esse tchau. Talvez apareça um novo destinatário pras cartas, talvez apareçam vários, talvez elas continuem sendo só minhas, talvez elas sejam só cartas, e nem sequer tenham o direito de estar aqui, dizendo essas coisas.
Mas no fim, são essas as coisas que fazem um mundo inteiro girar.
  • para ler ouvindo: Yael Naim - New Soul

domingo, 12 de julho de 2009

Planta baixa.

Sabe do que eu mais sinto saudades em ti? De quando você dizia que deveria ser simples, e quantas vezes você disse isso até eu entender. Entendi tarde. Tarde pra nós, cedo pra mim, cedo pros próximos 'nós' que vem, que vão, que ficam.
Voce ficou. Já sabe que ficou, já te contei e contei e contei, como conto tudo de mais importante e significativo que acontece comigo. E num tempo meio árido de criatividade e inspiração, eu escrevo pouco, e só consigo escrever se imagino ser uma carta pra ti.
Não sei o porquê de a inspiração esvaziar, muito menos o motivo de você ser o destinatário dessas palavras que ainda sobram, onde falta tanta coisa. Falta juízo, falta coragem, falta um pouco daqueles trecos que não se pode explicar.
Superfantástico, hoje acordei contigo. Com vontade de ligar e contar o que eu encontrei, e como eu ando bem e realizando tudo aquilo que eu tinha te mostrado, no plano, no projeto. Aquilo que eu imaginei que nunca ia passar de pedacinho de papel e tinta de canetinhas coloridas.
Agora estou aqui, contando que realizar tem sido bem desafiador, mas tenho me empenhado muito pra ver tudo pronto, mesmo sabendo que é uma obra que não acaba, que o empenho em realizar tem que ser contínuo, e pra sempre.
Eu vou, agora. Tenho janelas pra abrir e paredes pra derrubar e reconstruir no lugar certo. Ou pelo menos perto dele.
  • para ler ouvindo: Smashing Pumpkins - Perfect

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Carta para ninguém.

Eu sei que você já sabe que foi o mais fantástico de todos, mas a única maneira que encontrei para voltar a escrever foram essas cartas pra você (apesar de elas serem mesmo pra mim). Desculpe-me por expor assim.
Eu tenho existido de um jeito estranho ultimamente, sei que me falta alguma coisa, e quando finalmente acho que a encontrei e posso descansar, ela some, voa, evapora. Apesar disso, aprendi contigo, e tenho segurado muito bem a minha onda.
Sinto tua falta, e sinto falta de tanta gente também. Sinto falta de conversar contigo sobre as minhas coisas e de ouvir um "tenho orgulho de quem tu estás te tornando, menina". Acho que ando sem ter pra quem contar essas minhas coisas.
É, ando sem ter pra quem contar. Talvez eu tenha ficado quieta demais, e tenha me habituado a ficar quieta, mesmo quando preciso gritar. Tem coisas que só você e esses cantos do meu quarto sabem. Tem coisas que ninguém mais deve ouvir.
Tem dias que eu sou surda, e nem eu devo ouvir certas coisas. Eu continuo fazendo escolhas erradas aqui e ali, mas nada que te decepcionaria, prometo. Tenho orgulho de você ser essa parte tão forte do que eu estou me tornando, menino. Sei que estás aí, sempre. Obrigada, sempre.
  • para ler ouvindo: Death Cab for Cutie - Transatlanticism

quinta-feira, 19 de março de 2009

Pra que se saiba.

Eu acho, e quero que você saiba, acho que é você o cara mais fantástico que eu já conheci (fora aquelas exceções lógicas, pai e irmãos). Não, eu não acho, eu sei que você é o cara mais fantástico, fabuloso, fora do normal, que já me aconteceu. Vou pensar assim por muito tempo. E eu tenho minhas razões pra isso.
Por muitas coisas simples e pequenas, por você ser sempre uma ligação minha com o mundo real, e sem saber, muitas vezes, puxar meu pézinho de volta pro chão. Por que durante boa parte das coisas difíceis, você foi parte das minhas forças pra levantar, continuar, ter medo, e mesmo com medo, enfrentar. Você nunca soube, mas sempre me deu um pouco mais de coragem.
Eu pensei em ti hoje, muito, muito mesmo. Eu pensei em todas as coisas que poderiam ser, e não foram. E essas coisas agora parecem muito distantes, talvez não devam ser. Eu sinceramente acho que não, acho que nosso tempo passou, nosso ritmo acabou perdendo o compasso. Mas ainda imagino como seria bom. De qualquer forma, sempre que olho pro lado e preciso, eu te vejo; mesmo que você não esteja aqui; aliás, acho que você sempre está um pouco.
Só queria que você soubesse, que eu acho mesmo você o cara mais fantástico que passou por mim, e que eu tenho que te agradecer sempre por tudo, inclusive pelos puxões de orelha, muito bem dados, ouvidos e assimilados.
E no fim, mesmo que não importe, é sempre bom ter lembranças, imaginar, e saber em quem se apoiar. E se importar, me importa muito.
  • para ler ouvindo: Jack Johnson - If I Had Eyes