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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Born to Die (Lana del Rey - parte 2 - fim)


"Seu beijo vale um tapa na cara", foi o que você disse ao me reencontrar depois de 5 anos.
Cinco anos atrás eu tinha muito tempo livre e adorava os teus braços tatuados. Agora eu sou uma daquelas 'pessoas com passagens compradas' e as tatuagens não causam o mesmo impacto. Mas qual o problema em experimentar uma segunda vez? Foi assim que comecei a gostar de sushi, afinal.

"Foi melhor que a primeira", eu disse e você concordou, enquanto eu recuperava o fôlego.
Você contou algumas sardas nas minhas costas, cheirou meu pescoço, e concluiu:
"Galega, você é cheirosa, tem esse cheiro de loira..."
"Cheiro de loira? Hum...", não esperei resposta, estava mais preocupada em deixar você continuar beijando pedacinhos de mim.
Subi em você, e quando você revirou os olhos, deitei do teu lado, e dormi. Dormi pensando que nunca tinha feito um homem revirar os olhos daquele jeito antes.

Acordei mau-humorada, não gosto de dividir minha cama, tinha dormido pouco e mal, e você estava lá, esperando que eu me apaixonasse. Que eu fizesse, de novo, a mágica da noite acontecer. Abri a porta pra você ir, dei um beijo de tchau. Não fiquei na janela olhando você sair e suspirando. Me vesti e fui trabalhar, com aquela noite já guardada em seu lugar.

'Você fica bonita dormindo', dizia a mensagem no meu telefone. Quando cheguei ao escritório e liguei o computador, lá estava você, me dizendo o quanto gosta de mim mesmo sem nenhuma razão plausível para isso, já que eu não sou gostável. E contando que você não dormiu para me olhar um pouco mais.

Vê bem, menino, não é difícil entender o que eu vou dizer: eu não quero que você goste de mim. Nada disso vai acontecer outra vez. Eu quis te fazer feliz por uma noite, e eu fiz. Não torne complexas as coisas simples. Não se ofenda com isso. Me desculpe por isso. Lo siento.

  • para ler ouvindo: Lana del Rey - Born to Die
Choose your last words
This is the last time
'Cause you and I
We were born to die

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Ride (Lana del Rey - parte 1)


O texto anterior não era sobre você, apesar de você me querer no seu livro e estar se esforçando pra me colocar nele outra vez. Meu beijo vale, sim, um tapa na cara. Eu sei, mas olha, eu queria que você soubesse que esse seu jeitinho de ir dizendo o que eu quero ouvir não me convence. Não me convence.

Fingir se importar com o que eu faço é tão patético e batido. Perguntar coisas bobas e fazer comentários que sempre concordam é tão clichê. Tanto quanto convidar para jantar. Em especial, sushi. Pode parar, eu já estou indo embora. Nada disso é necessário. Você sabe, eu não quero paixões duradouras. Não quero levar nada de você comigo.

Aliás, não quero nada de você além de algumas cervejas geladas e uma boa noite. Tenho amigos o bastante. Amores idem. Vou levando pra ver qual é, afinal, não perco nada em te dar um par de horas de atenção, confissões tolas e risadas. Só não durma na minha cama, por favor.

Sabe, você frequenta essas festinhas cheias de barbudos e hipsters, isso é um saco. Essa turma toda me cansou, e continua me cansando cada vez que os vejo por aí, e você é um deles. Não se espante se eu fugir, eu fujo do que me dá tédio. Eu fujo dessa legião de robôs, padronizados, fechados nas suas caixinhas.

"Dirige exclusivamente motos e foge sempre que tem a oportunidade".  E no fim, quem é você para me pedir pra não fugir?


  • para ler ouvindo: Lana del Rey - Ride 
Been trying hard not to get into trouble, but I

I’ve got a war in my mind
So, I just ride